Visitantes Negócios Associações e Imprensa
Blog Instagram Facebook Twitter

Notícias


Dois meses depois, como estão os hotéis independentes?

Dois meses depois, como estão os hotéis independentes?

Publicado em: 03/07/2020

Em abril, mostramos um retrato de momento da hotelaria independente com auxílio da Feasi Hospitality. Passados 60 dias, como está o segmento diante das medidas de flexibilização da quarentena em vários estados? Já houve retomada? Hotéis que haviam fechado permanecem assim? Quais as perspectivas para esses empreendimentos? A mais recente edição do estudo da consultoria paulista ajuda a desenhar um cenário sobre a hotelaria independente.

Realizada de 3 a 6 de junho, a pesquisa entrevistou 298 hotéis (24,8 mil apartamentos) em sete cidades, de todas as categorias. “Em relação ao primeiro estudo, conseguimos manter uma base similar de análise, o que permite fazer uma comparação coerente dos cenários no começo da pandemia e agora”, explica Andre Matielo, diretor associado da Feasi Hospitality, que acrescenta:

“No período, foi possível observar uma boa dose de resiliência dos hotéis independentes para lidar com a crise. Em nenhum momento o percentual de unidades abertas ficou abaixo de 65%. No início de junho, por exemplo, o indicador bateu em 81%, contra 68% em abril”, afirma Matielo. “Por outro lado, o percentual de empreendimentos que paralisaram operações no início da pandemia e que não tem previsão de reabertura vem aumentando, atingindo 45% dessa amostra”, completa.

Em praças centrais como Rio de Janeiro e São Paulo, 24% e 29% dos hotéis independentes, respectivamente, permaneciam fechados nesta última edição do estudo da Feasi Hospitality. Em nossa primeira reportagem, em abril, os percentuais eram de 37% e 42%, respectivamente. Na avaliação de Matielo, o tempo mudou a percepção dos empresários ouvidos pela consultoria sobre a pandemia. 

“Nosso sentimento é que os hoteleiros independentes estão mais acostumados com a situação de redução de demanda. Já entenderam que precisam adaptar suas operações ao novo normal e que será duro daqui para frente. Todos estão operando com restrições de serviços e reduziram equipe de colaboradores”, comenta. “Ainda assim, pelo que apuramos, não há intenção de embandeirar suas propriedades. Vão encarar o mercado”, acrescenta.

Hotéis independentes: novo normal, novos desafios

Ao mesmo tempo em que mantém o desejo de encarar o mercado, a hotelaria independente terá um grande desafio no curto prazo. Segundo estudo do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), três em cada quatro hotéis têm previsão de reabertura para julho. “Ou seja, eles foram resilientes durante o auge da pandemia e passaram por esse pico sem a concorrência das redes. E agora, como vai ser?”, questiona Matielo.

Outro ponto relevante citado pelo diretor da Feasi Hospitality está relacionado à higienização e segurança – e também tem a ver com a concorrência. De fato, em entrevista para o Hotelier News, Cesar Nunes, diretor de Marketing e Vendas da Atrio Hotel Management, destacou o impacto dos novos protocolos nos custos operacionais da hotelaria

“As redes adotaram selos auditados, bastante rígidos e caros. Para a hotelaria independente, com caixa mais limitado e sangrando, será difícil adotar padrões similares em função do alto custo”, contextualiza. “No início da retomada, a tendência é o consumidor apostar em marcas fortes, que comunicaram bem ao público os protocolos adotados. Hotéis independentes, em sua maioria, devem optar pelas recomendações básicas. Para os clientes isso será um fator determinante de escolha?”. Bem, de fato, só o tempo dirá...

Fonte: Hotelier News